O friozinho nos convida a ambientes mais aconchegantes, a desfrutar da companhia de amigos, evoca o romantismo, o prazer de estar com a pessoa amada, de curtir selecionar o filme a ser assistido debaixo dos cobertores.

Nesse contexto, nosso apetite costuma ficar mais voraz, ávido por saborear pratos impensáveis no verão, alimentos mais calóricos, que nos forneçam mais energia e ajudem nosso corpo a manter a temperatura, como cozidos fumegantes, assados e molhos encorpados, pratos de inverno parecem ter sido criados para acompanhar uma garrafa de vinho.

Não é à toa que o frio sempre esteve intimamente ligada ao vinho – alguém já pensou em apreciar uma deliciosa polenta cremosa com ragu ao lado de uma gelada caipirinha, por exemplo? De fato, embora o vinho possa, e deva, ser apreciado durante o ano todo, muitas vezes é considerado sinônimo de temperaturas baixas.

 

Couple toasting wine glasses

Vinho acompanha a comida

Assim como nossos desejos se curvam à boa gastronomia, no clima frio nosso paladar costuma se ajustar para degustar vinhos mais encorpados, de maior teor alcoólico, estruturados e tânicos, mais potentes e opulentos, características regularmente associadas a tintos. Entretanto, muitos dos pratos de inverno ficam ótimos e merecem ser experimentados na companhia de brancos; obviamente, não estamos falando de brancos leves e joviais (como Sauvignon Blanc, por exemplo), mas sim dos mais encorpados, que na maioria das vezes tiveram estágio, ou até mesmo fermentação, em madeira, o que lhes confere mais untuosidade e estrutura, e que por vezes podem chegar a ser maiores do que as de alguns tintos e os tornam ideais para acompanhar certas iguarias.

Para facilitar sua vida, ADEGA enumerou alguns pratos que casam bem com o frio, além de alguns tipos de vinhos que podem acompanhá-los. O rol é exemplificativo, nosso intuito é incentivá-lo a tirar o melhor proveito da estação. Além disso, selecionamos 18 rótulos entre tintos e brancos, ideais para tornarem esses dias frios mais quentes e aconchegantes.

Coq Au Vin

Prato típico da culinária francesa, trata-se de um cozido à base de carne de galo (opcionalmente frango) e vinho. Vai bem com Borgonha tinto ou Pinot Noir californiano, por exemplo, mas experimente também com vinhos espanhóis da região de Rioja, tanto Crianza, quanto Reserva.

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Harmonização

ETOILE CHARDONNAY 2009

v3b6ggt2Domaine Serene, Oregon, Estados Unidos. Branco de uvas Chardonnay advindas do vinhedo Etoile, com estágio de 10 meses em barricas de carvalho francês neutras, ou seja, sem tosta. Apresenta cor amarelo-citrino de reflexos esverdeados e aromas de frutas tropicais e de caroço maduras, notas florais, minerais e de frutos secos, tudo envolto por toques tostados e de especiarias doces muito bem integrados ao conjunto. No palato, confirma a fruta mais fresca do nariz, é redondo, profundo e equilibrado, tem acidez refrescante, ótimo volume de boca e uma nota salina muito gostosa no final, pedindo mais um gole. Apesar de perceptível, a madeira ressalta as qualidades do vinho, contribuindo com elegância e cremosidade. Por seu corpo e estrutura, é indicado para acompanhar carnes de aves ensopadas, como pato ou marreco. Álcool 14,4%. EM

 

 

 

 Bacalhau

O bacalhau é um peixe substancioso, que por si só combina com a estação. Normalmente, suas preparações tendem a ser ricas em azeite. Quando preparado em receitas cremosas, como, por exemplo, às natas (desfiado ou lascado, envolvido num refogado de cebola juntamente com batatas fritas, molho bechamel, natas e, em seguida, gratinado), é uma aposta certa para agradar o paladar quando o tempo está frio. Uma sugestão são os brancos portugueses fermentados e estagiados em barrica, ou então Chardonnay do Novo Mundo com boa dose de madeira, como os americanos, chilenos e argentinos, mas tente também um tinto jovem.
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ALMA NEGRA MISTERIO BLANCO 2011grande_27f438893b9248e6d91435f50fbce67e

Ernesto Catena, Mendoza, Argentina. Filho de Nicolás Catena, Ernesto é o responsável por elaborar este branco com base em Chardonnay, mas de corte não revelado, daí o nome Misterio. Apresenta cor amarelopalha de reflexos esverdeados e aromas de frutas tropicais e cítricas maduras, notas florais, tostadas e de frutos secos, além de toques minerais e de baunilha. No palato, é frutado, estruturado, redondo, tem bom volume de boca, acidez refrescante e final persistente. Surpreende pelo equilíbrio do conjunto. Por ser mais encorpado, deve ir bem na companhia de peixes ou carnes brancas mais gordurosas. Tente com bacalhau. Álcool 13,8%. EM

 

Barreado

Prato típico do Paraná, para o tradicional barreado as carnes são cozidas em um caldeirão de barro bem vedado em baixa temperatura e por longuíssimas horas, fazendo-as “desmanchar” e gerando um molho bastante rico. Normalmente, é servido com farinha de mandioca e frutas, especialmente bananas grelhadas. Por sua complexidade, harmoniza bem com tintos de maior gama, como por exemplo, os grandes vinhos do Douro e do Alentejo, em Portugal. Experimente também com tintos barricados de Mencía, da região de Bierzo, na Espanha.

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DOMINIO DE TARES CEPAS VIEJAS MENCÍA 2007dominio-de-tares-cepas-viejas-tinto-mencia-871472-s115

Dominio de Tares, Bierzo, Espanha. Dominio de Tares está localizada na parte superior de Bierzo, em San Roman de Bembibre e é uma das referências em qualidade na região. Tinto elaborado exclusivamente a partir de uvas Mencía, com estágio de nove meses em barricas novas de carvalho francês. Apresenta cor vermelhorubi de reflexos púrpura e aromas de frutas vermelhas maduras, notas florais, minerais e herbáceas, além de toques tostados, de chocolate e de alcaçuz. Em boca, é suculento, frutado, encorpado, tem boa acidez, taninos finos e final longo. Por seu ótimo volume de boca e textura, é indicado para escoltar carnes vermelhas ou de caça ensopadas ou cozidas. Álcool 14%. EM

Gostou da sugestões que o Blog do Village trouxe para você? Então experimente e conte pra gente o que achou? Bom apetite!

 

 

 

Fonte: Revista ADEGA